Por Sandra Sampaio Cardoso, nutricionista da Center Cardio (CRN 0514 ) 

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Estudos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.

A obesidade é uma doença grave, de causa multifatorial, caracterizada pelo excesso de gordura corporal. A obesidade não é problema somente estético, mas sim de saúde. Diversas doenças como diabetes de mellitus, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, dislipidemia, problemas articulares e alguns tipos de câncer estão relacionadas à obesidade.

Uma alimentação desequilibrada em qualidade e quantidade de nutrientes é um dos fatores que podem levar ao excesso de gordura corpórea. Além dos fatores genéticos e os comportamentais da vida moderna, outros estão envolvidos no ganho de peso, como o sedentarismo – apesar do número de academias, ciclovias, parques e outros terem aumentado nas cidades, poucas são as pessoas que fazem exercícios regularmente (atividade física programada). Além disso, as poucas horas de sono também podem influenciar na forma física. Estes fatores podem interferir diretamente no processo de redução e/ou controle de peso.

São vários os objetivos do tratamento nutricional: identificar os erros alimentares, iniciar um programa alimentar flexível e individualizado, com foco na reeducação alimentar em longo prazo, devendo ser considerado, além da quantidade de calorias a serem oferecidas, as preferências alimentares, condição socioeconômica, estilo de vida e requerimento energético para manutenção da saúde.

Não existe dieta ou uma fórmula milagrosa para a perda de peso. Por isso, o tratamento mais eficaz para obesidade consiste na abordagem interdisciplinar – com endocrinologista, nutricionista e psicólogo, dentre outros. O que já demonstrou possibilitar maior adesão e perda de peso mais sustentada.

Algumas sugestões/dicas para ajudar na redução de peso:

• Evitar períodos longos de jejum (superior a 04h). Os alimentos devem ser distribuídos em pequenas quantidades a cada 3 horas, mantendo o seu metabolismo sempre ativo;

• Mastigue bem os alimentos e realize suas refeições em locais tranquilos, pois favorece o processo de digestão;

• Aumente a ingestão de água diária, pois o organismo bem hidrato é melhor para o processo de emagrecimento;

• Aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras como: aveia, pães integrais, vegetais e frutas (com casca e bagaço). As fibras ajudam a reduzir as taxas de colesterol e auxiliam no emagrecimento;

•  Acrescentar na sua alimentação quinoa e amaranto, cereais integrais, banana e damasco, que são fontes de triptofano. Esse nutriente aumenta a produção de serotonina, um neurotransmissor que diminui a compulsão alimentar;

• Incluir no cardápio diário porções de alimentos fontes de gorduras monoinsaturadas, como: o azeite de oliva extravirgem, oleaginosas, abacate, sementes de linhaça dourada e peixes ricos em Ômega 3, como salmão , sardinha, cavala, arenque, atum;

• Inicie as principais refeições (almoço / jantar) pelo consumo de saladas, pois são fontes de fibras e promovem saciedade;

•  Acrescentar na sua alimentação compostos bioativos  anti-inflamatórios encontrados nas frutas vermelhas (antocianinas), nas frutas cítricas (quercetina), no tomate, goiaba (licopeno), no azeite de oliva (tirosol), na cúrcuma (curcumina), na pimenta vermelha (capsaicina), no própolis (apigenina), pois ajudam no  processo de emagrecimento;

• Prefira alimentos frescos. Ao abandonar os industrializados, você reduz a quantidade de gordura e de sódio, retendo menos líquido. E ainda tem a vantagem de se alimentar de forma mais saudável;

• Evite os molhos calóricos e elevados em sódio. Prefira molho para saladas à base de limão, vinagre de maçã e temperos naturais (salsa, cebolinha, orégano, manjericão, alecrim etc.);

• “Para quem come mais em períodos de ansiedade, o ganho de peso é ainda maior” – Reduza  o estresse do dia-dia;

• A prática regular e orientada de atividade física é fundamental. Atenção: somente após avaliação e liberação médica!