*Joaquim Moura

O fim do ano é um período onde ocorrem diversas festividades. É divulgado o clima de alegria e prosperidade, porém muitas pessoas não sentem essa alegria e percebem que existe algo errado. Começam a entender esse período como uma pressão a se comportar de uma forma diferente do seu sentimento.

A depressão natalina ou depressão de fim de ano é definida pela angustia e falta de coerência do que a pessoa está sentindo com o clima de felicidade que o período “exige”. Normalmente esse período funciona como um “gatilho” para um transtorno depressivo latente. A angustia e a melancolia são os principais sentimentos. São acompanhados pela sensação de que muitas coisas não foram resolvidas, do estranhamento de não fazer parte do “clima de final de ano” e da ansiedade do termino do ano. É caracterizada principalmente pela frequência que a pessoa mantém os sintomas depressivos nessa data. Eles costumam acontecer quando o mês de dezembro chega, a pessoa vê a decoração de natal sendo montada, seus amigos começam a convidar para os festejos característicos do fim de ano etc.

O ser humano tem dificuldade em lidar com o termino das coisas, porém não existe nada mais inevitável. Por ser uma época que é focada na importância da família é costume pensar nos entes queridos que faleceram ou naquele que se afastou por conta da alguma desavença. Existe uma tendência a olhar para o ano que está finalizando e pensar naquilo que foi planejado e não foi concluído e em ter que recomeçar novamente no próximo ano. Para muitas pessoas essa pressão se transforma em uma ansiedade que impede de viver plenamente o presente. A pessoa fica triste pelo passado e ansiosa pelo futuro.

Lidar com a frustração e a impotência de não ter êxito com seus planos pode trazer diversos transtornos emocionais e psicológicos para todos os indivíduos.

A família e amigos tem um papel vital na saúde mental do indivíduo. O ideal é quando perceber que o familiar ou amigo próximo esta passando por esse processo perguntar o que esta acontecendo e acolher o seu sofrimento sem julgamentos ou desaprovações.

Alguém que esteja desconfiando que está com depressão nesse período deve avaliar a intensidade, frequência e o quanto esse sentimento tem impedido o seu funcionamento global. Deve-se ter em mente que a tristeza faz parte do processo de vida do ser humano e ser utilizada em prol do seu autoconhecimento. Se perceber que o sentimento se mantém e que é mais do que uma tristeza deve-se procurar um especialista.

O autoconhecimento é a chave para a saúde mental. Uma pessoa que se conhece pode perceber facilmente as mudanças emocionais e psicológicas, entender a raiz do problema e encontrar mais facilmente as soluções.

*Joaquim Moura é psicólogo e diretor da Clínica Fênix Bahia.