O artista plástico e professor Juarez Paraíso, um dos nomes mais importantes da cultura baiana contemporânea, foi eleito para a cadeira número 39 da Academia de Letras da Bahia, que teve como último titular o escritor e professor Edivaldo Boaventura, falecido em agosto último. O novo acadêmico tomará posse em solenidade cuja data ainda será anunciada pela presidente da ALB, Evelina Hoisel.

Esta é a primeira vez que a centenária Academia de Letras da Bahia recebe para os seus quadros de acadêmicos um artista plástico. Interessante observar que a eleição de Juarez Paraíso, ocorrida nesta segunda-feira, dia 10 de dezembro, coincidiu com a data de aniversário de Edivaldo Boaventura, de quem era grande amigo.

Juarez Paraíso iniciou sua carreira artística na década de 1950, angariando duas premiações no 2º Salão Universitário Baiano de Belas Artes, realizado em 1952, em Salvador. Em seguida, destacou-se como membro da segunda geração modernista da Bahia, tendo realizado sua primeira exposição individual em 1960, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Participou de inúmeras exposições e teve elogiada atuação no ensino superior na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, onde veio a ser professor e diretor.

Nos anos 1960, Juarez Paraíso produziu importantes trabalhos de arte abstrata em desenho e gravura e em obras murais figurativas e abstratas, ocupando inclusive espaços públicos de Salvador. A continuidade das atividades com murais se prolongou nas décadas seguintes. Nessa sua trajetória, a poética visual de Paraíso apresenta características de dinamismo, organicidade e sensualidade, com destaque na utilização da linha como elemento básico das composições, bem como nas experimentações em diversas técnicas e no desenvolvimento de pesquisas artísticas.