A Dependência Química e Alcoólica é uma Doença de evolução própria, sendo difícil estagná-la em convívio com a sociedade. Essa doença tende a ter fazes aguda em datas comemorativas: Carnaval, Natal, Réveillon, Carnaval, São João etc. Isto ocorre porque a Euforia provocada pela sensação de festividades, o fato de se comemorar ou tentar esquecer situações, culminam em desejo exacerbado de consumo dos alteradores de humor (drogas ilícitas e lícitas).

Por tudo isso, familiares e pessoas próximas de dependentes ou potenciais dependentes – pessoas que costumam abusar do uso de álcool ou que demonstram comportamento suspeito do uso de drogas – devem ficar muito alertas. Sintomas como agressividade, isolamento social e mudanças repentinas de humor são sinais que devem chamar a atenção.

O psicólogo da Clínica Fênix, Joaquim Moura, informa que existe uma grande demanda de procura de internações nestes períodos, o que demonstra o aumento da preocupação dos familiares em zelar pela vida dos seus entes queridos.

Segundo Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), somente no Brasil, 28 milhões de pessoas têm algum familiar que enfrenta esse tipo de problema, enquanto cerca de 37 milhões de brasileiros são usuários de algum tipo de entorpecente.

Para amenizar essa estatística, existem clínicas que oferecem o internamento prévio, com o objetivo de proporcionar o acompanhamento, a desintoxicação, conscientização e reabilitação do paciente, através de atividades lúdicas e recreativas, que proporcionam paz, bem-estar e conforto.

“A nossa clínica propõe para esses períodos festivos o programa Fênix Breve, que consiste em uma internação de pequena duração com entrada e altas programadas para que as pessoas se previnam contra a recaída. O serviço é estruturado com objetivo de dar um novo significado para essas festividades sem excessos, sem drogas ou álcool, fazendo com que as pessoas entendam que é possível se divertir sem o uso de drogas”, explica Moura.

Para o psicólogo Joaquim Moura, a prevenção ainda é a melhor forma do cuidado. “Precisamos ter uma atitude preventiva, evitando assim as consequências negativas que o transtorno mental e a dependência química podem trazer para o individuo e sua família”.

O psicólogo afirma ainda que, nem todo mundo tem noção do quanto é difícil para um dependente em recuperação estar numa festa regada a bebida e dizer “não”, referindo-se àquelas pessoas inconvenientes que insistem em oferecer “só uma dose, pra brindar”. Para quem está em abstinência, por sua vez, é difícil aprender que existe diversão sem a droga. Joaquim conta que, em alguns casos, é até melhor evitar determinada festa. Mas ficar sozinho, nem pensar. “A orientação é ter uma rede de apoio, com pessoas que o protejam”, diz.