* Por Marcus Borba

Tumor mais comum no Brasil, o câncer de pele é mais frequente na região da cabeça e pescoço, por ser a mais exposta ao sol. A doença ocorre em decorrência da multiplicação descontrolada das células e pode ser de dois tipos: melanoma (que surgem nas células produtoras de melanina) e não melanoma, este último responsável por cerca de 30% dos tumores malignos registrados no país. O câncer não melanoma tem grande chance de cura, desde que seja detectado e tratado precocemente. Entre estes tipos de cânceres, existem o carcinoma basocelular, cuja evolução é lenta e tem como característica uma ferida ou nódulo, e o carcinoma epidermóide, bem mais agressivo e invasivo do que o basocelular. É importante, portanto, estar atento, pois o carcinoma epidermóide pode surgir por meio de uma ferida ou sobre uma cicatriz, sobretudo nas decorrentes de queimadura. Tais lesões proliferam células escamosas que, depois de um tempo, podem dar origem a metástases em órgãos distantes internos como os pulmões e fígado. Por isso, é fundamental que seja diagnosticado cedo e iniciado o tratamento o quanto antes. 

 

Um dos principais inimigos da pele é o Sol em excesso. Prova disso, é que tipos de tumores malignos como o carcinoma basocelular, epidermóide e melanoma surgem especialmente nas regiões do corpo mais expostas à radiação solar, como o rosto, cabeça, pescoço, orelha, braços, mãos e pés.  Se uma pessoa identificar em alguma dessas regiões sintomas como manchas pruriginosas (que coçam), descamativas ou que sangram, se identificarem sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor ou ainda feridas que não cicatrizam em quatro semanas, deve buscar um especialista para analisar se o paciente apresenta este tipo de tumor e, caso necessário, iniciar o tratamento. O câncer de pele pode ser identificado em exame feito por um dermatologista e por exames como a dermatoscopia, que permite que o médico visualize camadas de pele que não são vistas a olho nu, ou, em alguns casos, por uma biópsia. No caso dos cânceres de pele, sua identificação na fase bem inicial possibilita melhores resultados em seu tratamento, com maiores chances de cura e menores sequelas cirúrgicas.  Em geral, o tratamento é feito com cirurgia oncológica, que retira as lesões em ambulatório ou hospitais, a depender do estágio da lesão. Outras alternativas de tratamento podem ser avaliadas e utilizadas em algumas situações bem específicas, como no caso de o paciente não poder ser submetido à cirurgia. O médico especialista irá indicar o melhor tratamento para cada caso. 

 

Para prevenir o câncer de pele, recomenda-se evitar a exposição ao sol, principalmente nos horários em que os raios solares são mais intensos (entre 10h e 16h), bem como utilizar óculos de sol com proteção UV, roupas que protegem o corpo, chapéus de abas largas, sombrinhas e guarda-sol. O uso de filtro solar com fator de proteção maior que 30 e, às vezes, maior que 50 em pacientes de risco é fundamental, principalmente quando a exposição ao sol é inevitável. O filtro solar deve ser aplicado corretamente, uma vez que o real fator de proteção desses produtos varia com a espessura da camada de creme aplicada, a frequência da aplicação, a perspiração e a exposição à água. É necessário reaplicar o filtro solar a cada duas horas, durante a exposição solar, assim como após mergulho ou grande transpiração. Mesmo os filtros solares “à prova d´água” devem ser reaplicados.

 

Além da exposição continuada ao sol, especialmente pelas pessoas de pele e olhos claros, são fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele a exposição a substâncias como alcatrão, fuligem, arsênico, tabaco e raios X. Pacientes transplantados que fazem uso de medicamentos imunossupressores, pessoas com história pessoal ou familiar de câncer de pele, portadores de lesões pré-malignas como verrugas e ulcerações também constituem grupos de risco para a doença. Entre os sinais do carcinoma epidermóide de pele incialmente destaca-se o aparecimento de um nódulo ou de manchas avermelhadas e irregulares, que crescem depressa, adquirem aspecto descamativo e podem transformar-se em feridas que sangram, coçam e não cicatrizam ou, ainda, formar protuberâncias rugosas semelhantes às da couve-flor.

 

Ao paciente, recomendamos ainda a consulta periódica com um especialista, que além de detectar possíveis lesões pré-cancerígenas e introduzir condutas terapêuticas para evitar que degenerem, poderá indicar os tipos e fator de protetor solar e de hidratantes conforme as características da pele do paciente. E, caso identifique a presença do carcinoma epidermóide, indicar a intervenção cirúrgica para a remoção das lesões. 

 

*Dr. Marcus Borba é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFBA e líder da Unidade Especializada em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Português da Bahia. Ele também atende na Clion, Clínica Clivale do Salvador Shopping e na CEDIBA. Instagram: @drmarcusborba