A Alopecia Androgenética é a causa mais comum de queda de cabelos nos homens. Sua incidência varia entre as populações em função dos antecedentes genéticos. O cabelo é um componente importante da autoimagem e interfere no perfil psicológico do homem. Há estudos que demonstram que os homens que sofrem de calvície são 75% menos confiantes, com perda de autoestima, introversão e sensação de falta de atratividade.

A testosterona, hormônio sexual masculino, é a maior responsável pela queda do cabelo no homem. Ao atingir a raiz do cabelo, a testosterona sofre a ação da enzima 5 alfa redutase e como consequência vão surgir substâncias que vão reduzir a velocidade de multiplicação das células da raiz ou mesmo provocar a morte delas.

Dezessete anos é a idade mais perigosa para a calvície começar a instalar-se definitivamente. Esses pacientes, por razões genéticas e hormonais, aos 22-23 anos já estão carecas. Aqueles que vão perdendo os cabelos mais devagar, a partir dos 25-26 anos, podem contar com melhores resultados no tratamento porque neles a participação da hereditariedade é menor. A genética pode se manifestar de duas formas: a que o gene provoca a queda permanente do cabelo; e a que o gene produz excesso de oleosidade, causa da dermatite seborreica, também responsável pela queda dos cabelos, embora eles caiam em menor quantidade e mais lentamente. Por esse motivo, 90% dos calvos têm pele e couro cabeludo oleosos.

As mulheres que fazem modulação hormonal com testosterona podem apresentar a calvície com padrão androgenético também. E hoje, pelo uso da TRH de forma descontrolada, tem-se aumentado bastante a incidência dessa patologia no sexo feminino.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO TÓPICO

O mais conhecido é o minoxidil, um vasodilatador com ação nos receptores androgênicos do pelo, ou seja, que ajuda a bloquear os derivados da testosterona. É sempre bom começar com doses menores e ir aumentando a concentração de forma gradativa.

Outros fármacos são usados com ótimas respostas nas novas formulações tópicas. São eles: o Ácido Retinóico, o Ácido Glicólico e a Cafeína.

Os homens não devem usar hormônio feminino em forma de loção tópica para evitar ação da testosterona. O estrógenos e a progesterona tópica podem desenvolver sinais de feminilizacão importantes nos homens, como crescimento de mamas.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO ORAL

A finasterida é a droga de escolha. Ela inibe a ação da enzima 5 alfa redutase. O que impede a atrofia do folículo piloso, a miniaturização dos fios e a perda definitiva do cabelo. É indicada para os homens com predisposição genética à calvície ou com queda em fase inicial e intermediária dos cabelos. Começa a agir após 2 meses de uso e os resultados podem ser percebidos com 6 meses de tratamento. Assim que o uso é suspenso, o cabelo volta a cair.

A Dutasterida age de forma semelhante à finasterida, dá menos efeitos colaterais em relação à libido e tem maior eficácia contra a calvície.

TRATAMENTO COM MICROINJEÇÕES

A intradermoterapia é o tratamento com medicamentos e nutrientes que são aplicados pela via de administração de injeções intradérmica no couro cabeludo. É feito com agulhas finíssimas. Inicialmente são realizadas dez sessões de ataque, 1 vez por semana, e depois a manutenção é feita 1 vez ao mês. A mescla dos medicamentos e nutrientes na injeção pode ser composta de finasterida, minoxidil, biotina, zinco, selênio, silício orgânico, crisina, D-pantenol, blufomedil, fatores de crescimento epidérmico e vascular e peptídeos de cobre.

Existem pacientes que não querem usar por muito tempo a finasterida. Essa é uma alternativa de manutenção já que a ação seria apenas no couro cabeludo e não teria ação sistêmica.

TRATAMENTO NUTROLÓGICO

Os nutracêuticos por via oral são importantíssimos na abordagem terapêutica da calvície, já que vão fornecer nutrientes para a formação do cabelo, como também tem uma inibição da ação hormonal. São eles: biotina, vitamina B12, Zinco, Niacina, Ácidos graxos essenciais, Ferro, Cobre, Selênio, Silício orgânico,Vitamina D3, Vitamina C, Crisina, Saw palmetto (serenoa repens), os aminoácidos Arginina e Ornitina. A L-Carnitina, que tem indicação para o uso da gordura como fonte de energia em atividade físicas (recurso ergogenico), mostrou-se, em estudos recentes, bastante eficaz na calvície de padrão androgenético.

TRATAMENTO A LASER

Chamado de LLLT (Low Level Laser Therapy), este laser de baixa potência é utilizado para estimular o crescimento dos fios de cabelo afetados pela calvície. Ele provoca um estimulo do ATP (fonte de energia das células), resultando em uma ampliação da multiplicação celular da raiz do cabelo, aumentando a velocidade dos crescimentos dos fios e melhorando a espessura capilar. Um dos aparelhos de laser é o LED Laser de diodo de baixa frequência, que trabalha com feixes vermelhos e infravermelhos de luz e prolongam a fase anágena (de crescimento) do ciclo de vida do cabelo.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

É o ultimo recurso terapêutico e o mais invasivo. O transplante capilar é indicado nos pacientes que não investiram na prevenção da calvície androgenética, por isso o tratamento clínico deve ser iniciado o mais precoce possível. Hoje, os resultados da cirurgia são bem naturais sem aparentar o temido aspecto de ”cabelo de boneca”. E a técnica mais recente é a FUE(extração de unidades foliculares).

Recém-chegado no Brasil, tem-se a cirurgia por robótica, chamada ARTAS, em que são feitas várias sessões ambulatórias, nas quais o próprio robô retira e implanta os folículos pilosos, com menor quantidade de fios transplantados por sessão, o que torna o procedimento menos agressivo e de extrema precisão e a volta à rotina mais rápida para o paciente. Nessa técnica, são transplantadas, em média, 2 mil fios. Na clássica, de 6 a 9 mil fios. O paciente precisará de mais sessões na técnica ARTAS, mas tem a vantagem de ser uma cirurgia ambulatorial.

 

dr-luiz

Dr. Luiz Marques Filho é médico, CRM 12615, pós – graduado em Dermatologia e em Medicina Estética e especialista em Nutrologia.