A Síndrome Metabólica (SM) caracteriza-se por várias alterações silenciosas produzidas a partir do acúmulo de gordura abdominal (central) e consequente resistência à ação da insulina. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que, dentre outras funções, controla os níveis de glicose (açúcar) no sangue. Grande quantidade de gordura abdominal, especialmente aquela que se armazena dentro dos órgãos (gordura visceral), está associada ao aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares como infarto, por exemplo. Ademais, na SM, observa-se uma série de outras alterações que podem aparecer juntas ou em sequência: tendência ao diabetes, baixo HDL (bom colesterol), elevação de triglicerídeos, hipertensão arterial, elevação do ácido úrico e perda de albumina na urina. Uma alimentação rica em açúcar e gordura associada ao sedentarismo piora significativamente o quadro.

“Existem diferentes tipos de gordura no corpo. A que está embaixo da pele (subcutânea) é considerada estética e não está associada à Síndrome Metabólica. Ela serve como depósito de energia apenas. O problema é a gordura que está nos órgãos, como o fígado e intestinos, que é metabolicamente ativa. Ela produz substâncias inflamatórias que causam alterações vasculares e estão associadas à resistência à insulina. O importante para a saúde é perder esse tipo de gordura”, explica a endocrinologista do Fleury Medicina e Saúde, Patrícia Muszkat.

A Síndrome Metabólica geralmente começa a se manifestar na idade adulta e aumenta com o envelhecimento. Por isso, é necessário ficar atento. Se a pessoa está acima do peso (especialmente às custas de gordura abdominal) e identifica alguns dos fatores de risco que podem causar a síndrome é melhor procurar um médico endocrinologista. Ele poderá fazer o diagnóstico, prescrever o tratamento adequado e acompanhar o caso.

Para prevenir e até reverter a Síndrome Metabólica, deve-se começar com algumas ações cujo  objetivo final é evitar doenças cardíacas e vasculares:

– aderir a uma dieta saudável, adequada e balanceada;

– praticar atividade física regularmente;

– evitar cigarro e bebidas alcoólicas;

– medicações específicas, se necessário;

– tudo isso com acompanhamento médico e nutricional. 

Diagnóstico 

A medida da circunferência abdominal com fita métrica é um dos parâmetros mais importantes avaliados no diagnóstico da SM. A medida é simples e barata e tem como objetivo fazer um cálculo aproximado da gordura abdominal. Circunferência abdominal acima de 94 cm para homens e acima de 80 cm para mulheres sugere acúmulo de gordura intra-abdominal. A pesquisa de outros fatores de risco específicos completa o diagnóstico. Porém, a fita métrica não separa a gordura embaixo da pele (subcutânea) da visceral contida no abdômen. Para isso, outros métodos de imagem mais sofisticados podem ser utilizados.

A tomografia computadorizada é o método mais preciso para quantificar a gordura visceral (intra-abdominal). Porém, possui custo elevado e expõe o paciente a uma dose considerável de radiação. O exame de composição corporal por densitometria surgiu recentemente como uma alternativa mais barata e segura para estimar a gordura visceral, já que a dose de radiação é pelo menos 100 vezes menor do que a da tomografia computadorizada.

O exame de composição corporal por densitometria, baseado na dupla emissão de raios X, consegue separar os componentes do corpo em osso, gordura e todo o resto (classificado como massa magra). “É como se a composição corporal realizasse uma separação do corpo em compartimentos por meio de suas imagens. E atualmente, nos aparelhos mais modernos, é possível quantificar não só a gordura total do corpo, mas também a gordura abdominal e ainda a gordura visceral. Assim fica mais fácil o acompanhamento do paciente e de seu progresso”, comenta Patrícia Muszkat. A estimativa da gordura visceral torna-se, portanto, mais precisa.

A médica lembra que é comum, por exemplo, clientes que realizam um programa de perda de peso com dieta e exercícios ficarem desmotivados com o resultado visto na balança. Isso porque se esforçaram bastante e eliminaram gordura, mas ganharam também músculo, que vai deixar a balança com um peso semelhante ao anterior. “Como a balança só mostra o peso total, essas pessoas acham que o programa não está dando resultados. A composição corporal mostra que ele, na verdade, perdeu gordura, mas ganhou musculatura, o que é muito saudável”, ressalta a endocrinologista.