A mulher moderna tem cada dia mais adiado a maternidade para investir na sua formação e carreira profissional, buscar estabilidade financeira antes de ter filhos ou até mesmo por ainda não ter encontrado o parceiro ideal. O grande problema é que quando muitas mulheres resolvem ter filhos a fertilidade delas já entrou em declínio já que a idade é um dos fatores naturais que mais afetam a capacidade reprodutora feminina. O congelamento de óvulos possibilita que as mulheres adiem a gestação e ainda que engravidem utilizando os próprios gametas até mesmo depois da menopausa. “Até algum tempo atrás, as jovens tornavam-se mães por volta dos 20 anos de idade. Nos dias atuais, com a ascensão do sexo feminino no mercado de trabalho, muitas mulheres têm seu primeiro filho após os trinta e cinco anos. Uma alternativa para aumentar as chances de uma gravidez futura, numa idade um pouco mais avançada, é o congelamento de óvulos através da técnica chamada de vitrificação”, explica o especialista em Reprodução Humana, Joaquim Lopes, diretor clinico do Cenafert – Centro de Medicina Reprodutiva e da Insemina Centro de Reprodução Humana.

No caso dos homens, a técnica de congelamento de sêmen é indicada, principalmente, para aqueles que estão planejando uma vasectomia ou que são diagnosticados com um câncer de próstata ou testículo, já que alguns tratamentos oncológicos podem afetar a fertilidade.  “Muitas vezes, um tempo depois de feita a vasectomia, o homem pode voltar a querer ter filhos por inúmeros motivos, inclusive por ter casado de novo”, afirma Joaquim Lopes.

Técnicas de criopreservação – Um dos avanços na área de reprodução assistida, o método de vitrificação usado para criopreservação de gametas femininos, tem promovido uma revolução na maternidade. Desenvolvida no Japão por uma equipe liderada pelo cientista japonês Masashige Kawayama, a técnica para conservar óvulos humanos representa uma solução para um dos grandes desafios da Reprodução Assistida: preservar a fertilidade da mulher. Através dessa técnica, os óvulos são preservados em baixa temperatura (-196ºC) e de maneira muito rápida, garantindo a sua qualidade no ato da desvitrificação (descongelamento) para posterior fertilização. A vitrificação é uma técnica mais avançada de congelamento, já que o método anterior – o congelamento lento de óvulos – provoca uma formação de cristais de gelo no interior do óvulo, causando danos celulares e comprometendo a qualidade do gameta feminino, com índice de gravidez muito baixo. “A técnica de vitrificação de óvulos é recomendada principalmente nos casos em que a mulher jovem quer adiar o seu projeto de maternidade para investir na sua carreira profissional ou nos casos de tratamento oncológico, quando a possibilidade de ter sua fertilidade comprometida é real”, esclarece Joaquim Lopes.   

A técnica de vitrificação, considerada eficaz e segura, é uma das que apresenta os melhores resultados. Considerado um método mais avançado de criopreservação, a vitrificação proporciona taxas de gestação altas, uma vez que o procedimento preserva as características, a idade e a qualidade dos gametas femininos. Durante o processo de congelamento, os óvulos são desidratados e tratados com substâncias crioprotetoras antes de serem congelados. Os melhores resultados com a criopreservação de óvulos, no entanto, se observam quando a técnica é realizada em mulheres abaixo de 37 anos.

No método tradicional de congelamento, o processo era mais lento – até atingir os 196 graus negativos levava de duas a três horas – e provocava formação de gelo no interior do óvulo. Com a vitrificação, esse tempo caiu consideravelmente. “A vitrificação traz uma nova perspectiva para a mulher moderna que precisa adiar a maternidade”, afirma o especialista.

Já para os homens, a técnica tradicional de congelamento de sêmen através do processo lento, usado há bastante tempo, garante bons resultados.

Pacientes oncológicos – As técnicas de criopreservação de óvulos e espermatozoides também são altamente recomendadas para casos de pacientes diagnosticados com determinados tipos de câncer, que precisem passar por tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Esses tratamentos podem comprometer a função hormonal e até causar uma infertilidade irreversível por diminuição importante da quantidade de óvulos e espermatozoides. “É preciso conscientizar os médicos para a importância de orientar seus pacientes sobre a possibilidade de congelar gametas (óvulos ou espermatozoides) antes de iniciar um tratamento de câncer, especialmente os mais novos ou que ainda não tiveram filhos. Com os avanços no tratamento de câncer, o paciente depois de curado quer retomar sua vida normal, trabalhar, casar e ter filhos”, argumento Joaquim Lopes.