Pai e Filho. O teatro como elo. Histórias e memórias familiares se unem a fábulas do cotidiano soteropolitano. O ator João Guisande contracena com o próprio pai, seu Antônio Roque, coronel da policia militar da Bahia, aposentado, baiano de corpo, alma e coração, e agora ATOR.
Essa é a temática do espetáculo “Foi por esse Amor – Uma Comédia Familiar” que estreia no próximo dia 18 de outubro e fica em cartaz até 27 de outubro – quintas e sextas, às 20h, e sábados, às 18h e 20h -, no Galpão Wilson Mello, localizado no Forte do Barbalho. Os ingressos estão a preços populares – R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) – e a venda ocorrerá na bilheteria do evento.
 
A obra traz a relação entre pai e filho em diversas circunstâncias, do amor de ambos pelo carnaval até as dúvidas e medos da infância, juventude e velhice, da rivalidade no futebol – António (Bahia) e João (Vitória) -, as canções que os movem, da vida após aposentadoria ao amor que rege esse encontro, “afinal de contas, não há sonho mais lindo do que vossa terra, não há”.
 
Marcam presença também na encenação, três “personagens” que migram dos espetáculos “Amnésis” e “Lembranças da Bahia” – espetáculos que Guisande estava como ator – e funcionam como fios condutores da dramaturgia, são eles: Um vendedor de picolé, um artista de rua, e um esquizofrênico. Pai e Filho também são personagens e ainda interpretam familiares.
 
“Em tempos sombrios, em que temas como fascismo, ditadura e censura voltam a atormentar o cenário político e social resolvo trazer meu pai, coronel aposentado da Polícia Militar para a cena. Juntos contracenemos e trazemos uma única palavra: AMOR”, comenta João Guisande.
 
Trazendo a poética do teatro documentário, pai e filho estreiam no Forte do Barbalho, local utilizado na ditadura militar para interrogar e prender “presos políticos”. “Além disso, era nesses galpões que os artistas da Bahia apresentavam aos censores os espetáculos, antes de estrearem”, conta Tonho, como é conhecido o ator Antônio Roque, que acaba de fazer seu primeiro curso de teatro.
 
“Depois da aposentadoria, comecei a perceber através de meu filho ator, João Guisande, que essa vontade de atuar já estava no meu subconsciente. O desejo sempre existiu, mas durante minha infância e adolescência não tive muito espaço para sequer pensar sobre essa possibilidade. Depois de adulto e com o trabalho como Militar, menos ainda, pois não havia tempo” conta Tonho, que além de ator também está na produção do espetáculo junto com Fernanda Beltrão.
 
A respeito de “Foi por esse Amor”, ele diz se sentir feliz. “O espetáculo traz memórias afetivas minhas, revela a minha baianidade através de personagens que fizeram e fazem parte da minha vida familiar e cotidiana. O maior desafio será controlar a emoção diante do público e do meu filho, com quem contraceno”, realça o pai de João Guisande, ao acrescentar que existe vida após a aposentadoria “e vida criativa”.
 
A direção musical é de Ronei Jorge, que se baseia na canção Marinheiro Só, que já foi gravada por diversos cantores brasileiros, inclusive, pelo baiano Caetano Veloso. A dramaturgia e direção é de João Guisande. A iluminação é de Alisson de Sá.