Nesta semana, pude acompanhar dois eventos realizados pelo terapeuta Jordan Campos, em Salvador e Feira de Santana, onde temas relacionados a relacionamentos amorosos foram amplamente debatidos por mais de 500 pessoas.
O sonho de viver o amor de forma plena, o drama da traição e os desgastes dos relacionamentos são algumas questões que geram enorme inquietação e despertam o interesse das pessoas sobre a necessidade do autoconhecimento. Depois de séculos de subalternidade e de amplo domínio de uma cultura do patriarcado, mulheres e homens passam por uma fase de aceitação de novos valores e modelos possíveis no campo amoroso. Velhos medos e anseios se apresentam em meio a um turbilhão de novas crenças e expectativas.
A sabedoria oriental nos traz ensinamentos valiosos sobre a importância do equilíbrio em todos os aspectos da vida, inclusive no campo da afetividade e do sexo. No mês de junho, na China é reverenciada a deusa Nugua, com um festival de barcos em forma de dragões, simbolizando a importância da integração das energias do masculino e do feminino, da luz e da sombra, numa dança harmoniosa. Vale lembrar que entrar em contato com o simbolismo do dragão é um convite a aceitar e respeitar a força da natureza primitiva que habita cada um de nós e que nos move a novas experiências.
A reverência em relação aos polos opostos nos traz a reflexão sobre a necessidade de compreender o fluxo que alimenta as relações num padrão de equilíbrio. Não há solução mágica, nem passo a passo para salvar relacionamentos conturbados. As engrenagens do amor passam, sobretudo, pela inteligência afetiva e a compreensão de que todos nós temos nossas partes sombrias e iluminadas. Administrar o dar e receber em qualquer relacionamento pode ser a chave para o equilíbrio. Essa é a lógica que permeia todo o processo da psicoterapia sistêmica criada por Bert Hellinger.
Ao observar como funciona o nosso corpo e a nossa mente, temos indicativos importantes sobre como uma relação amorosa se torna tóxica. Quando respiramos, por exemplo, fazemos um movimento de inspirar e expirar, num ciclo contínuo de entrar em contato com nosso interior e, em seguida, realizar um movimento de expansão. A autoanálise e o despertar para as necessidades do outro devem acontecer em equilíbrio. Olhar o outro e não perceber a si mesmo é um entrave para a saúde dos relacionamentos.

Texto escrito por Daniella Sinotti, Terapeuta Transpessoal Sistêmica e Jornalista.
Site: https://daniellasinotti.wordpress.com/2017/05/29/o-trauma-da-violencia-e-a-possibilidade-da-transformacao/
E-mail: dsinotti@gmail.com